Aqui fica uma crónica de Alexandra Lucas Coelho que começa assim:
"Não ter carro em Portugal é não ter uma data de direitos..."
Pode ouvir aqui.
Para contextualizarmos, deixamos duas imagens: uma da construção do parque de estacionamento de Camões, pago também por quem não tem carro; e uma paisagem turística diária.
Este blogue foi criado após deliberação na 1ª Assembleia Popular da Caldeirôa para a real protecção do quarteirão Camões-Caldeirôa, em Guimarães.
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segunda-feira, 14 de maio de 2018
segunda-feira, 20 de novembro de 2017
"MURALHA - associação de Guimarães para a defesa do património assume posição contra construção de novo parque de estacionamento"
Hoje, a Muralha, associação de Guimarães para a defesa do património, apresentou um comunicado em que marca a sua posição contra a construção do parque de estacionamento de Camões.
A notícia saiu no Guimarães Digital:
"MURALHA - ASSOCIAÇÃO DE GUIMARÃES PARA A DEFESA DO PATRIMÓNIO ASSUME POSIÇÃO CONTRA CONSTRUÇÃO DE NOVO PARQUE DE ESTACIONAMENTO
20 DE NOVEMBRO, 2017 11:37
A Muralha - Associação de Guimarães para a Defesa do Património veio a público anunciar que "não lhe parece adequado às necessidades da comunidade e à estratégia de valorização do património Histórico de Guimarães a construção do Parque de Estacionamento da Caldeiroa".
Em comunicado, a Instituição vem "partilhar a opinião de que processos sensíveis como este, tendo em conta o reconhecido percurso de Guimarães ao nível da preservação e estudo do seu património, deveriam ter merecido uma efectiva discussão pública. Independentemente da legitimidade política de quem toma as decisões para as quais foram mandatados, a participação pública ajuda a perspetivar alternativas e a escolher as melhores opções. Tal processo, a ter existido, contaria certamente com a nossa participação",
"Mesmo assim é nossa opinião de que os responsáveis políticos deveriam apostar em optimizar os parques de estacionamento já existentes e criar, quando necessário, novos parques de menor dimensão, enquadrando e harmonizando o confronto das circulações pedonal e mobilizada, assentes na procura de proximidade, e disseminados pela cidade e respectivo perímetro urbano, que pudessem servir a população local/residente sem a concentração excessiva de automóveis numa única área. A distribuição de pequenos parques respeitantes das características e necessidades zonais em articulação com o delicado tecido urbano vimaranense seria, do nosso ponto de vista, a estratégia adequada", refere o comunicado.
"Tratando-se, hoje, de uma cidade reconhecida internacionalmente pelo seu património histórico (considerando, sempre e também, o seu carácter social e comunitário), é ainda entendimento da Muralha que a pressão que atualmente se sente pela elevada procura de Guimarães enquanto destino turístico pode comprometer, num futuro próximo, e à imagem do que acontece noutras cidades, o equilíbrio urbano da própria cidade. Os ganhos económicos que uma crescente procura traz e a tendência para uma pedonalização intensiva e excessiva do centro histórico de Guimarães, embelezando-o através da ausência falsa de automóveis mas dificultando a fixação de população permanente (e não somente temporária), é uma tendência – e um erro – que devem ser atempadamente discutida e, sobretudo, evitada", continua.
"Para a Muralha é igualmente importante preservar o património edificado a par do património social, implementando políticas para que o centro e o coração da cidade sejam capazes de fixar e atrair população permanente e variada e não somente populações de perfis únicos. O combate ao despovoamento do centro da cidade é, para nós, uma das mais urgentes prioridades", sustenta a Associação.
"Sabendo que a cidade de Guimarães terá sido pioneira quando, entre 1979 e 1982, se propôs estudar e implementar um Plano Geral de Urbanização atento e cuidado a várias frentes, liderado pelo Arq. Fernando Távora, e que permitiu entretanto classificar o seu Centro Histórico como Património Cultural da Humanidade (2001), valerá a pena reconhecer que uma cidade que se revê na sua história e no seu património também se revê nas suas gentes. Ora, é dessa visão e capacidade partilhadas que necessitamos novamente para não cometer o erro, que outros continuam a cometer, e que resulta no despovoamento e na descaracterização dos lugares da cidade, transformando-a em mero “postal” de casas progressivamente sem habitantes locais, apesar de sazonalmente animada por visitantes ocasionais", manifesta a Muralha, afirmando a sua convicção de que "urge uma discussão forte e participada sobre o tema da mobilidade em Guimarães e sobre as estratégias que envolvam um futuro da cidade em respeito pelo seu património".
"A Muralha empenhar-se-á em procurar parceiros e criar condições para que essa discussão, atempadamente, se faça", conclui o comunicado.
Em declarações à Rádio Santiago, o Presidente da Muralha, Rui Vitor Costa, considera que a construção do Parque constitui um erro, realçando que a associação tinha a obrigação de se pronunciar e, só não o fez antes, devido ao calendário autárquico."
FONTE:
Notícia do Guimarães Digital, aqui.
Reflexo Digital, aqui.
Mais Guimarães, aqui.
A notícia saiu no Guimarães Digital:
"MURALHA - ASSOCIAÇÃO DE GUIMARÃES PARA A DEFESA DO PATRIMÓNIO ASSUME POSIÇÃO CONTRA CONSTRUÇÃO DE NOVO PARQUE DE ESTACIONAMENTO
20 DE NOVEMBRO, 2017 11:37
A Muralha - Associação de Guimarães para a Defesa do Património veio a público anunciar que "não lhe parece adequado às necessidades da comunidade e à estratégia de valorização do património Histórico de Guimarães a construção do Parque de Estacionamento da Caldeiroa".
Em comunicado, a Instituição vem "partilhar a opinião de que processos sensíveis como este, tendo em conta o reconhecido percurso de Guimarães ao nível da preservação e estudo do seu património, deveriam ter merecido uma efectiva discussão pública. Independentemente da legitimidade política de quem toma as decisões para as quais foram mandatados, a participação pública ajuda a perspetivar alternativas e a escolher as melhores opções. Tal processo, a ter existido, contaria certamente com a nossa participação",
"Mesmo assim é nossa opinião de que os responsáveis políticos deveriam apostar em optimizar os parques de estacionamento já existentes e criar, quando necessário, novos parques de menor dimensão, enquadrando e harmonizando o confronto das circulações pedonal e mobilizada, assentes na procura de proximidade, e disseminados pela cidade e respectivo perímetro urbano, que pudessem servir a população local/residente sem a concentração excessiva de automóveis numa única área. A distribuição de pequenos parques respeitantes das características e necessidades zonais em articulação com o delicado tecido urbano vimaranense seria, do nosso ponto de vista, a estratégia adequada", refere o comunicado.
"Tratando-se, hoje, de uma cidade reconhecida internacionalmente pelo seu património histórico (considerando, sempre e também, o seu carácter social e comunitário), é ainda entendimento da Muralha que a pressão que atualmente se sente pela elevada procura de Guimarães enquanto destino turístico pode comprometer, num futuro próximo, e à imagem do que acontece noutras cidades, o equilíbrio urbano da própria cidade. Os ganhos económicos que uma crescente procura traz e a tendência para uma pedonalização intensiva e excessiva do centro histórico de Guimarães, embelezando-o através da ausência falsa de automóveis mas dificultando a fixação de população permanente (e não somente temporária), é uma tendência – e um erro – que devem ser atempadamente discutida e, sobretudo, evitada", continua.
"Para a Muralha é igualmente importante preservar o património edificado a par do património social, implementando políticas para que o centro e o coração da cidade sejam capazes de fixar e atrair população permanente e variada e não somente populações de perfis únicos. O combate ao despovoamento do centro da cidade é, para nós, uma das mais urgentes prioridades", sustenta a Associação.
"Sabendo que a cidade de Guimarães terá sido pioneira quando, entre 1979 e 1982, se propôs estudar e implementar um Plano Geral de Urbanização atento e cuidado a várias frentes, liderado pelo Arq. Fernando Távora, e que permitiu entretanto classificar o seu Centro Histórico como Património Cultural da Humanidade (2001), valerá a pena reconhecer que uma cidade que se revê na sua história e no seu património também se revê nas suas gentes. Ora, é dessa visão e capacidade partilhadas que necessitamos novamente para não cometer o erro, que outros continuam a cometer, e que resulta no despovoamento e na descaracterização dos lugares da cidade, transformando-a em mero “postal” de casas progressivamente sem habitantes locais, apesar de sazonalmente animada por visitantes ocasionais", manifesta a Muralha, afirmando a sua convicção de que "urge uma discussão forte e participada sobre o tema da mobilidade em Guimarães e sobre as estratégias que envolvam um futuro da cidade em respeito pelo seu património".
"A Muralha empenhar-se-á em procurar parceiros e criar condições para que essa discussão, atempadamente, se faça", conclui o comunicado.
Em declarações à Rádio Santiago, o Presidente da Muralha, Rui Vitor Costa, considera que a construção do Parque constitui um erro, realçando que a associação tinha a obrigação de se pronunciar e, só não o fez antes, devido ao calendário autárquico."
FONTE:
Notícia do Guimarães Digital, aqui.
Reflexo Digital, aqui.
Mais Guimarães, aqui.
sábado, 11 de novembro de 2017
Parque de estacionamento de Camões versus PDM
A construção do Parque de estacionamento de Camões não cumpre:
- Na Zona de Estrutura Ecológica Municipal - nível II privilegia-se a minimização da impermeabilização do solo e apoio e complemento dos espaços verdes de utilização colectiva. Ou então, como é apontado na alínea a) do ponto 4 do artigo 11º do Regulamento do PDM, nas áreas de nível II, o regime de uso do solo exclui alterações significativas de topografia que ponham em causa a relação harmoniosa com o terreno envolvente, e na alínea b) do mesmo ponto, diz que o regime de uso do solo exclui alterações que coloquem em risco bens a salvaguardar (naturais, culturais, paisagísticos, arquitectónicos, etc.).
- Zona de Protecção: sobre este ponto o parecer do ICOMOS-Portugal é indicativo de como a construção do parque de estacionamento não se enquadra no local, pois, "conclui-se que se trata de uma proposta de grande impacto no quarteirão, logo, na Zona Especial de Protecção do Bem classificado" e continua, "os tanques ficarão irremediavelmente descontextualizados".
Lembramos que este é um parecer negativo em relação à construção do parque de estacionamento. O parecer termina com esta conclusão: “Assim sendo, o ICOMOS-Portugal afirma a sua total disponibilidade para continuar a contribuir para que a Zona de Couros possa vir a ser integrada na classificação (Património Cultural da Humanidade) que já hoje a cidade de Guimarães tão merecidamente possui, mas, pelo que ficou exposto, não pode concordar com um projecto que sem dúvida irá afectar irreversivelmente esse mesmo Bem”.
Por não se ter acesso ao interior do quarteirão torna-se mais difícil às pessoas perceberem a dimensão desmesurada da obra. O desaterro será violentíssimo.
A dimensão do parque de estacionamento será desde a Travessa da Caldeirôa até às traseiras da Caixa Geral de Depósitos. O edifício terá quatro pisos divididos em dois corpos. Na parte de cima [Norte] terá três pisos subterrâneos, sendo o piso -3 equivalente ao piso -2 da parte baixa do interior do quarteirão [Sul] (próximo da Travessa da Caldeirôa).
Para se ter uma ideia mais próxima da dimensão colocámos nas legendas a localização do famoso restaurante "Porta Larga".
sexta-feira, 10 de novembro de 2017
"Parque de Camões: Mistificações, ocultações e faltas de comparência", por Samuel Silva
Deixamos aqui um texto de Samuel Silva publicado pelo jornal Reflexo Digital, no dia 9 de Novembro de 2017, sobre o parque de estacionamento de Camões.
"Parque de Camões: Mistificações, ocultações e faltas de comparência
"Parque de Camões: Mistificações, ocultações e faltas de comparência
Anseio agora pelo dia da inauguração do novo parque de estacionamento de Camões para ver descerrada a placa evocativa com o nome do presidente da Câmara. Será útil para nos lembramos, quando for gritante a inutilidade da obra, quem é o principal responsável por este erro histórico.
O processo foi, porém, pródigo em mistificações, ocultações e faltas de comparência que resultaram na asneira prestes a concretizar-se.
1. Os fundamentos: Mistificações. A construção do parque de Camões foi assente na ideia-feita de que não há estacionamento suficiente em Guimarães. Isto nunca foi demostrado. Não há um único estudo que o comprove, aliás.
O Plano Estratégico de Desenvolvimento Urbano, documento oficial com menos de dois anos, contabiliza “13534 lugares, sendo 6357 lugares localizados em parques de estacionamento dedicados e os restantes na via pública”. Ao mesmo tempo considera o número como “elevado” e classifica a taxa de utilização dos parques já existentes como “indesejavelmente baixa”. Isto são palavras de um documento oficial.
É bom lembrar que há, em Guimarães, cinco parques de estacionamento municipais (não falo sequer nos privados…) que totalizam 829 lugares. Foram todos construídos nos últimos 15 anos. Será que não supriram as necessidades que a cidade tinha?
Claro que sim, como de resto demonstra a empresa municipal Vitrus, no relatório de utilização de parques de estacionamento do ano passado, no qual revela que de só dois dos cinco parques têm taxas de utilização acima dos 80%. O do Mercado (34%) e o do Centro Cultural Vila Flor (43%) têm mesmo taxas de utilização bastante fracas.
Em que assenta, então, a mistificação da falta de estacionamento? Apenas na convicção do presidente da Câmara e no poder de influência de uma Associação Comercial à qual sobra em capacidade de fazer ruído o que lhe falta em competência.
2. O processo: Ocultações. Os argumentos patrimoniais nem são, a meu ver, os mais poderosos na crítica que deve fazer-se ao projecto – o investimento de 5,5 milhões numa obra cuja utilidade está por provar e o seu impacto estrutural sobre um quarteirão frágil parecem-me bem mais prementes.
No entanto, foi a própria autarquia a reconhecer a sensibilidade do projecto para o património, nomeadamente a intenção de alargamento da classificação do Centro Histórico pela Unesco à Zona de Couros. Foi por isso que a Câmara Municipal de Guimarães pediu ao Conselho Internacional de Monumentos e Sítios (ICOMOS) um parecer sobre o impacto da obra.
O dossiê sobre esse processo foi finalmente tornado público a 27 de Outubro, depois de semanas de pedidos sem resposta de jornalistas e cidadãos. Os documentos mostram duas coisas:
a) Que o ICOMOS é crítico da obra. De pouco serve a tentativa de lançar uma cortina de fumo abre as supostas “contradições” daquele organismo porque a análise dos documentos é clara: o parecer é negativo. É o documento assinado pela presidente do ICOMOS, em papel timbrado, que o diz. E é esse que vale. Porque em nenhum lugar um documento oficial vale tanto (ou menos, como alguns querem fazer parecer) como um email, não oficial e enviado 15 dias após o parecer, ou eventuais compromissos “de boca”, que não se podem provar nem têm valor jurídico.
b) Que a estrutura da Câmara Municipal de Guimarães escondeu o parecer durante 60 dias, recusando responder a sucessivas perguntas de jornalistas e pedidos de informação de cidadãos. E fê-lo num momento eleitoral, evitando assim que um assunto polémico pudesse atrapalhar o resultado eleitoral do PS. Isso, para um democrata, é inaceitável.
3. A política: Falta de comparência. A análise de todo o processo relativo ao parque de Camões demonstra também que os políticos da oposição na Câmara não estiveram à altura do momento. A primeira vez que o assunto foi discutido na reunião de executivo, em 2011, foi aprovado por unanimidade. Ou seja, PS, PSD e PCP alinharam na mistificação de que falta estacionamento na cidade.
Mas fica-se ainda mais boquiaberto quando se ouve o líder da oposição admitir que só pediu acesso ao parecer do ICOMOS quando este já era público e tinha motivado discussão entre os cidadãos. Dois meses de silêncio. Com este tipo de demissão de responsabilidades fica mais fácil perceber as derrotas eleitorais.
Com esta falta de comparência a um debate crucial, os vereadores da oposição deixaram a contestação ao projecto entregue a um grupo de cidadãos, que não têm os mesmos instrumentos, a mesma capacidade de intervenção ou poder de influência dos partidos. Ao fazê-lo, foram o maior aliado da maioria na concretização deste erro histórico."
O processo foi, porém, pródigo em mistificações, ocultações e faltas de comparência que resultaram na asneira prestes a concretizar-se.
1. Os fundamentos: Mistificações. A construção do parque de Camões foi assente na ideia-feita de que não há estacionamento suficiente em Guimarães. Isto nunca foi demostrado. Não há um único estudo que o comprove, aliás.
O Plano Estratégico de Desenvolvimento Urbano, documento oficial com menos de dois anos, contabiliza “13534 lugares, sendo 6357 lugares localizados em parques de estacionamento dedicados e os restantes na via pública”. Ao mesmo tempo considera o número como “elevado” e classifica a taxa de utilização dos parques já existentes como “indesejavelmente baixa”. Isto são palavras de um documento oficial.
É bom lembrar que há, em Guimarães, cinco parques de estacionamento municipais (não falo sequer nos privados…) que totalizam 829 lugares. Foram todos construídos nos últimos 15 anos. Será que não supriram as necessidades que a cidade tinha?
Claro que sim, como de resto demonstra a empresa municipal Vitrus, no relatório de utilização de parques de estacionamento do ano passado, no qual revela que de só dois dos cinco parques têm taxas de utilização acima dos 80%. O do Mercado (34%) e o do Centro Cultural Vila Flor (43%) têm mesmo taxas de utilização bastante fracas.
Em que assenta, então, a mistificação da falta de estacionamento? Apenas na convicção do presidente da Câmara e no poder de influência de uma Associação Comercial à qual sobra em capacidade de fazer ruído o que lhe falta em competência.
2. O processo: Ocultações. Os argumentos patrimoniais nem são, a meu ver, os mais poderosos na crítica que deve fazer-se ao projecto – o investimento de 5,5 milhões numa obra cuja utilidade está por provar e o seu impacto estrutural sobre um quarteirão frágil parecem-me bem mais prementes.
No entanto, foi a própria autarquia a reconhecer a sensibilidade do projecto para o património, nomeadamente a intenção de alargamento da classificação do Centro Histórico pela Unesco à Zona de Couros. Foi por isso que a Câmara Municipal de Guimarães pediu ao Conselho Internacional de Monumentos e Sítios (ICOMOS) um parecer sobre o impacto da obra.
O dossiê sobre esse processo foi finalmente tornado público a 27 de Outubro, depois de semanas de pedidos sem resposta de jornalistas e cidadãos. Os documentos mostram duas coisas:
a) Que o ICOMOS é crítico da obra. De pouco serve a tentativa de lançar uma cortina de fumo abre as supostas “contradições” daquele organismo porque a análise dos documentos é clara: o parecer é negativo. É o documento assinado pela presidente do ICOMOS, em papel timbrado, que o diz. E é esse que vale. Porque em nenhum lugar um documento oficial vale tanto (ou menos, como alguns querem fazer parecer) como um email, não oficial e enviado 15 dias após o parecer, ou eventuais compromissos “de boca”, que não se podem provar nem têm valor jurídico.
b) Que a estrutura da Câmara Municipal de Guimarães escondeu o parecer durante 60 dias, recusando responder a sucessivas perguntas de jornalistas e pedidos de informação de cidadãos. E fê-lo num momento eleitoral, evitando assim que um assunto polémico pudesse atrapalhar o resultado eleitoral do PS. Isso, para um democrata, é inaceitável.
3. A política: Falta de comparência. A análise de todo o processo relativo ao parque de Camões demonstra também que os políticos da oposição na Câmara não estiveram à altura do momento. A primeira vez que o assunto foi discutido na reunião de executivo, em 2011, foi aprovado por unanimidade. Ou seja, PS, PSD e PCP alinharam na mistificação de que falta estacionamento na cidade.
Mas fica-se ainda mais boquiaberto quando se ouve o líder da oposição admitir que só pediu acesso ao parecer do ICOMOS quando este já era público e tinha motivado discussão entre os cidadãos. Dois meses de silêncio. Com este tipo de demissão de responsabilidades fica mais fácil perceber as derrotas eleitorais.
Com esta falta de comparência a um debate crucial, os vereadores da oposição deixaram a contestação ao projecto entregue a um grupo de cidadãos, que não têm os mesmos instrumentos, a mesma capacidade de intervenção ou poder de influência dos partidos. Ao fazê-lo, foram o maior aliado da maioria na concretização deste erro histórico."
O artigo de opinião pode ser encontrado neste link.
segunda-feira, 30 de outubro de 2017
Expulsão dos artistas da Caldeirôa
Os dois últimos artistas a produzir na fábrica da Caldeirôa foram expulsos do seu atelier. O processo de retirada dos objectos começou na manhã de Quinta-feira e termina amanhã, Terça-feira, 31 de Outubro de 2017.
Na manhã de Quinta-feira, apareceram na porta da fábrica vários técnicos superiores, encarregados e trabalhadores da câmara acompanhados pela polícia municipal. Vinham com a ordem de retirar tudo o que estava dentro da fábrica. Quer fosse lixo, móveis, electrodomésticos ou obras produzidas pelos artistas, era tudo manuseado e transportado do mesmo modo.
O processo de expulsão é violento, e esta expulsão é política. Esta expulsão é uma tentativa de apagar o que aconteceu na fábrica, e uma tentativa de quebrar a vontade das pessoas em continuar com o seu trabalho. A partir desta fábrica nasceram as Assembleias Populares da Caldeirôa que têm contribuído para a liberdade da crítica. Arejada, iluminada e bem frequentada, a fábrica da Caldeirôa mostrou-nos a magia que procurámos.
Naquela fábrica trabalharam artistas desde 2012, ano em que decorreu a Capital Europeia da Cultura. Naquele ano, não se colocava a questão da necessidade de abrir espaço a locais de produção de arte. Achava-se que o evento iria produzir novas vontades de consumir arte. Ficou tudo entre os hegemónicos, não houve espaço para os independentes. No momento em que começava a aparecer vontade de criar essa estrutura aparece um monstro que caiu como um meteorito que vai ficar enterrado.
Para escrever na história da cidade: em 2017, a CMG expulsa artistas independentes para construir um parque de estacionamento.
Na manhã de Quinta-feira, apareceram na porta da fábrica vários técnicos superiores, encarregados e trabalhadores da câmara acompanhados pela polícia municipal. Vinham com a ordem de retirar tudo o que estava dentro da fábrica. Quer fosse lixo, móveis, electrodomésticos ou obras produzidas pelos artistas, era tudo manuseado e transportado do mesmo modo.
O processo de expulsão é violento, e esta expulsão é política. Esta expulsão é uma tentativa de apagar o que aconteceu na fábrica, e uma tentativa de quebrar a vontade das pessoas em continuar com o seu trabalho. A partir desta fábrica nasceram as Assembleias Populares da Caldeirôa que têm contribuído para a liberdade da crítica. Arejada, iluminada e bem frequentada, a fábrica da Caldeirôa mostrou-nos a magia que procurámos.
Naquela fábrica trabalharam artistas desde 2012, ano em que decorreu a Capital Europeia da Cultura. Naquele ano, não se colocava a questão da necessidade de abrir espaço a locais de produção de arte. Achava-se que o evento iria produzir novas vontades de consumir arte. Ficou tudo entre os hegemónicos, não houve espaço para os independentes. No momento em que começava a aparecer vontade de criar essa estrutura aparece um monstro que caiu como um meteorito que vai ficar enterrado.
Para escrever na história da cidade: em 2017, a CMG expulsa artistas independentes para construir um parque de estacionamento.
quarta-feira, 25 de outubro de 2017
Texto apresentado na Assembleia da União de Freguesias de Oliveira do Castelo, S. Paio e S. Sebastião
A Assembleia Popular da Caldeirôa constituída, em Julho de 2016, de forma espontânea por moradores, trabalhadores e utentes da zona preocupados com o processo e o projecto do parque de estacionamento no interior do quarteirão delimitado pelas ruas de Camões, Liberdade e Caldeirôa, vem por este meio apresentar os pontos gerais das preocupações fundadas nos direitos que queremos ver respeitados:
a) Como primeiro ponto, o direito e exigência dos moradores em serem levados em consideração num projecto, que pela dimensão, implicação e localização obrigaria a um período de discussão pública específico sobre o projecto do parque de estacionamento;
b) Para além da não existência dessa discussão pública, também não foi apresentado um plano de mobilidade, nem foram esclarecidos os impactes previsíveis do novo parque de estacionamento, quer durante a fase de construção, quer durante a fase de exploração, nas condições de vida dos residentes e na circulação de veículos e pessoas nas vias adjacentes ao local de implantação;
c) A implantação do edifício do parque incidirá sobre os terrenos onde hoje existe um grande stock de “verde urbano” - sendo porventura o único quarteirão do centro histórico com uma verdadeira área permeável, não construída;
d) Em seguimento do ponto anterior, o revestimento vegetal dos logradouros e o seu solo permeável contribuem para a regulação ambiental local e da cidade, em termos climáticos e hidrológicos, e de redução do ruído e da poluição atmosférica;
e) O projecto viola o regulamento do Plano Director Municipal por provocar alterações topográficas que põem em causa a relação harmoniosa com o terreno envolvente, por pôr em risco bens a salvaguardar como património arqueológico industrial, ou por não ter em consideração que o projecto ocupará áreas da Estrutura Ecológica Municipal - de nível II;
f) A intervenção significará o apagamento da estrutura cadastral histórica, das especificidades do parcelário urbano, muito específico, diferenciador e, por si só, um património de valor não mensurável, onde se inclui, para além das habitações, antigas fábricas de curtumes e respectivos tanques de curtir, que a própria Câmara procura classificar como Património Cultural da Humanidade;
a) Como primeiro ponto, o direito e exigência dos moradores em serem levados em consideração num projecto, que pela dimensão, implicação e localização obrigaria a um período de discussão pública específico sobre o projecto do parque de estacionamento;
b) Para além da não existência dessa discussão pública, também não foi apresentado um plano de mobilidade, nem foram esclarecidos os impactes previsíveis do novo parque de estacionamento, quer durante a fase de construção, quer durante a fase de exploração, nas condições de vida dos residentes e na circulação de veículos e pessoas nas vias adjacentes ao local de implantação;
c) A implantação do edifício do parque incidirá sobre os terrenos onde hoje existe um grande stock de “verde urbano” - sendo porventura o único quarteirão do centro histórico com uma verdadeira área permeável, não construída;
d) Em seguimento do ponto anterior, o revestimento vegetal dos logradouros e o seu solo permeável contribuem para a regulação ambiental local e da cidade, em termos climáticos e hidrológicos, e de redução do ruído e da poluição atmosférica;
e) O projecto viola o regulamento do Plano Director Municipal por provocar alterações topográficas que põem em causa a relação harmoniosa com o terreno envolvente, por pôr em risco bens a salvaguardar como património arqueológico industrial, ou por não ter em consideração que o projecto ocupará áreas da Estrutura Ecológica Municipal - de nível II;
f) A intervenção significará o apagamento da estrutura cadastral histórica, das especificidades do parcelário urbano, muito específico, diferenciador e, por si só, um património de valor não mensurável, onde se inclui, para além das habitações, antigas fábricas de curtumes e respectivos tanques de curtir, que a própria Câmara procura classificar como Património Cultural da Humanidade;
g) A ICOMOS - Comissão Nacional Portuguesa apresentou um parecer negativo sobre o projecto do parque de estacionamento, que pelas dimensões e pelos impactos irreversíveis que vai gerar, entra em contradição com a proposta da Câmara Municipal relativa à zona de Couros, que prevê uma área de 44 hectares de Património Mundial e uma área protegida de 582 hectares, que se estende da Veiga de Creixomil até à igreja da Penha;
h) A morfologia urbana, especificamente nesta área, é caracterizada por edifícios frágeis com cérceas de três pisos, do século XIX, ruas estreitas e inclinadas que serão transformadas em circular urbana com o tráfego rodoviário intenso previsto, e com entradas e saída por travessas e vielas;
i) Fazendo ligação ao ponto anterior, exemplificamos como decorrerão as dinâmicas do tráfego automóvel nas entradas e saída do parque segundo o actual sentido do trânsito. Por exemplo, para chegar à entrada da Travessa de Camões, o veículo poderá:
1) Entrar na rua D. João I e percorrê-la quase na totalidade, passar pela rua Dr. Bento Cardoso e rua de Camões;
2) Entrar na rua da Liberdade e subir a rua de Camões (nestes dois pontos verificamos que na rua de Camões haverá sempre uma sobrecarga com a passagem de automóveis);
3) Entrar pela rua Paio Galvão, passar na artéria Sul do Largo do Toural, descer a rua de Camões, como foi anunciado, ou continuar para descer a rua da Caldeirôa até à segunda entrada do parque de estacionamento;
4) A saída dos automóveis será feita pela Travessa da Caldeirôa em direcção à rua da Caldeirôa, que entra em conflito com a actual utilização pedonal com ligação ao recinto da Feira Semanal e Mercado Municipal.
j) Para além dos aspectos sócio-económicos e de morfologia do edificado, as especificidades topográficas, geológicas e hidrológicas desaconselham uma intervenção deste tipo. A inclinação do terreno, as linhas de água que atravessam os terrenos e irrigavam os jardins e hortas, o solo rochoso, granítico, sobre o qual assenta a nossa cidade - são todos aspectos que só serão ultrapassados com elevados investimentos que provocarão danos ambientais irreversíveis;
k) A maior parte dos edifícios é habitacional e, ainda que existam edifícios devolutos, seria expectável e desejável que a Câmara continuasse o processo que iniciou na década de 80, de melhoramento das condições de vida no centro urbano, de modo a promover um centro urbano vivo e habitado;
l) Sobre os níveis de poluição no Largo do Toural, referimos, a partir do estudo "Impacto da qualidade do ar após intervenção urbanística no Toural e sua envolvente", de 2013, que o Largo do Toural apresenta uma percentagem de >41µg/m3 (maior que quarenta e um microgramas por metro cúbico de ar) de partículas inaláveis e finas, que segundo a Agência Portuguesa do Ambiente (APA) está no nível em que “as pessoas muito sensíveis, nomeadamente crianças e idosos com doenças respiratórias devem limitar as actividades ao ar livre”;
m) Este ponto não foi referido na Assembleia Extraordinária da União de Freguesias da Cidade, mas acrescentamos aos pontos supra identificados, que a Associação Vimaranense para a Ecologia, em Junho de 2017, questionou publicamente a construção de um parque de estacionamento no interior do quarteirão em causa.
Em síntese, afirmamos que o parque de estacionamento no interior do quarteirão não resolverá os problemas de mobilidade no centro da cidade, provocará mais poluição nas vias adjacentes e levará para o interior do quarteirão gases poluente e tóxicos.
Em alternativa propomos a criação de um jardim público que permitiria às habitações ter uma nova frente que seja um prolongamento do interior das casas e das lojas de comércio. Este jardim seria indutor e motor de uma revitalização benéfica do ponto de vista ambiental e económica visto que as habitações aumentariam o seu valor patrimonial.
Guimarães, 24 de Outubro de 2017
2) Entrar na rua da Liberdade e subir a rua de Camões (nestes dois pontos verificamos que na rua de Camões haverá sempre uma sobrecarga com a passagem de automóveis);
3) Entrar pela rua Paio Galvão, passar na artéria Sul do Largo do Toural, descer a rua de Camões, como foi anunciado, ou continuar para descer a rua da Caldeirôa até à segunda entrada do parque de estacionamento;
4) A saída dos automóveis será feita pela Travessa da Caldeirôa em direcção à rua da Caldeirôa, que entra em conflito com a actual utilização pedonal com ligação ao recinto da Feira Semanal e Mercado Municipal.
j) Para além dos aspectos sócio-económicos e de morfologia do edificado, as especificidades topográficas, geológicas e hidrológicas desaconselham uma intervenção deste tipo. A inclinação do terreno, as linhas de água que atravessam os terrenos e irrigavam os jardins e hortas, o solo rochoso, granítico, sobre o qual assenta a nossa cidade - são todos aspectos que só serão ultrapassados com elevados investimentos que provocarão danos ambientais irreversíveis;
k) A maior parte dos edifícios é habitacional e, ainda que existam edifícios devolutos, seria expectável e desejável que a Câmara continuasse o processo que iniciou na década de 80, de melhoramento das condições de vida no centro urbano, de modo a promover um centro urbano vivo e habitado;
l) Sobre os níveis de poluição no Largo do Toural, referimos, a partir do estudo "Impacto da qualidade do ar após intervenção urbanística no Toural e sua envolvente", de 2013, que o Largo do Toural apresenta uma percentagem de >41µg/m3 (maior que quarenta e um microgramas por metro cúbico de ar) de partículas inaláveis e finas, que segundo a Agência Portuguesa do Ambiente (APA) está no nível em que “as pessoas muito sensíveis, nomeadamente crianças e idosos com doenças respiratórias devem limitar as actividades ao ar livre”;
m) Este ponto não foi referido na Assembleia Extraordinária da União de Freguesias da Cidade, mas acrescentamos aos pontos supra identificados, que a Associação Vimaranense para a Ecologia, em Junho de 2017, questionou publicamente a construção de um parque de estacionamento no interior do quarteirão em causa.
Em síntese, afirmamos que o parque de estacionamento no interior do quarteirão não resolverá os problemas de mobilidade no centro da cidade, provocará mais poluição nas vias adjacentes e levará para o interior do quarteirão gases poluente e tóxicos.
Em alternativa propomos a criação de um jardim público que permitiria às habitações ter uma nova frente que seja um prolongamento do interior das casas e das lojas de comércio. Este jardim seria indutor e motor de uma revitalização benéfica do ponto de vista ambiental e económica visto que as habitações aumentariam o seu valor patrimonial.
Guimarães, 24 de Outubro de 2017
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| Enquadramento do parque de estacionamento de Camões no interior do quarteirão. |
sexta-feira, 13 de outubro de 2017
Níveis de poluição no largo do Toural
Em 2013 foi apresentado pela Universidade do Minho um estudo do nível de poluição no centro de Guimarães. Esse estudo apresenta as diferenças do nível de poluição antes e depois da intervenção urbanística no Largo do Toural e na Alameda S. Dâmaso.
A particularidade deste estudo de compilação de informação quer do volume de tráfego automóvel quer dos níveis de partículas inaláveis e finas, conhecidas por PM10, ajudam-nos a falar com dados concretos sobre o nível de poluição atmosférica do Largo do Toural. O estudo apresenta uma percentagem de >41µg/m3 (maior que quarenta e um microgramas por metro cúbico) de partículas inaláveis e finas, cujo diâmetro médio é inferior a 10 mícron*, que segundo a Agência Portuguesa do Ambiente (APA) estaria no nível médio, segundo o índice da qualidade do ar. No entanto, o nível médio já é muito preocupante. Segundo a APA, no nível médio “as pessoas muito sensíveis, nomeadamente crianças e idosos com doenças respiratórias devem limitar as actividades ao ar livre.”
Se o parque de estacionamento for construído no miolo do quarteirão delimitado pelas ruas de Camões, Liberdade e Caldeirôa com a entrada prevista pelo Toural, descendo a rua de Camões até à Travessa de Camões, é expectável que o número de automóveis aumente exponencialmente e em consequência o nível de poluição passe de médio para fraco, onde “as pessoas sensíveis (crianças , idosos e indivíduos com problemas respiratórios) devem evitar actividades físicas intensas ao ar livre. Os doentes do foro respiratório e cardiovascular devem ainda respeitar escrupulosamente os tratamentos médicos em curso ou recorrer a cuidados médicos extra, em caso de agravamento de sintomas. A população em geral deve evitar a exposição a outros factores de risco, tais como o fumo do tabaco e a exposição a produtos irritantes contendo solventes na sua composição.”
Para concluir, acreditamos que a construção do parque de estacionamento irá contribuir para que a vida quotidiana dos residentes das freguesias da cidade piore substancialmente e sofra um decréscimo do seu bem-estar.
Contrapomos a este projecto, tão pouco sustentável e ecológico, a criação de um jardim público que reponha os espaços verdes que nos forma retirados tão vilmente em 2012. Desta forma, contribui-se não só para o bem-estar mas também para a melhoria da saúde pública, pois, um jardim com árvores e plantas purifica a atmosfera do actual centro de Guimarães.
Notas:
* mícron - unidade de medida de comprimento que corresponde à milésima parte do milímetro.
| Conselhos de saúde em função do Índice da Qualidade do Ar |
Para concluir, acreditamos que a construção do parque de estacionamento irá contribuir para que a vida quotidiana dos residentes das freguesias da cidade piore substancialmente e sofra um decréscimo do seu bem-estar.
Contrapomos a este projecto, tão pouco sustentável e ecológico, a criação de um jardim público que reponha os espaços verdes que nos forma retirados tão vilmente em 2012. Desta forma, contribui-se não só para o bem-estar mas também para a melhoria da saúde pública, pois, um jardim com árvores e plantas purifica a atmosfera do actual centro de Guimarães.
Notas:
* mícron - unidade de medida de comprimento que corresponde à milésima parte do milímetro.
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| Aspecto actual do interior do quarteirão delimitado pelas ruas de Camões, Liberdade e Caldeirôa. |
terça-feira, 16 de maio de 2017
AVISO: Discussão pública adiada por tempo indeterminado
Por motivos que nos são alheios, fomos informados no final da noite de ontem, dia 15, pela Sociedade Martins Sarmento que a discussão pública a realizar no dia 22 de Maio, sobre o tema parque de estacionamento Camões-Caldeiroa, foi adiada por tempo indeterminado até nova comunicação.
Guimarães, 16 de Maio de 2017
Assembleia Popular da Caldeiroa
Guimarães, 16 de Maio de 2017
Assembleia Popular da Caldeiroa
segunda-feira, 15 de maio de 2017
DATA IMPORTANTE: 22/Maio - 21:30 - Discussão Pública
No próximo dia 22 de Maio, segunda-feira, às 21:30, vai decorrer uma discussão pública sobre o processo e projecto do futuro parque de estacionamento Camões-Caldeiroa, no salão nobre da Sociedade Martins Sarmento, na rua Paio Galvão, em Guimarães.
A discussão pública será organizada pela Sociedade Martins Sarmento e contará com a presença de representantes da Câmara Municipal de Guimarães.
A discussão pública foi solicitada à direcção da Sociedade Martins Sarmento, a 17 de Fevereiro de 2017, por um grupo de cidadãos e cidadãs em representação de um descontentamento popular face a uma decisão da Câmara em desenvolver uma intervenção urbanística sem dar quaisquer informações aos seus munícipes, moradores, comerciantes e demais interessados. Este grupo propôs esta discussão pública por parecer injusto que - sem um debate e consenso alargado - se altere irreversivelmente um Património que se mantém vivo após mil anos de desenvolvimento desta cidade.
A discussão pública é de entrada livre e tem como objectivo apresentar informação aos cidadãos e às cidadãs sobre o processo e consequente projecto para o miolo do quarteirão das ruas Camões, Caldeiroa e Liberdade, e, assim, promover a participação cívica dos interessados e das interessadas no levantamento de questões sobre o assunto.
A discussão pública será organizada pela Sociedade Martins Sarmento e contará com a presença de representantes da Câmara Municipal de Guimarães.
A discussão pública foi solicitada à direcção da Sociedade Martins Sarmento, a 17 de Fevereiro de 2017, por um grupo de cidadãos e cidadãs em representação de um descontentamento popular face a uma decisão da Câmara em desenvolver uma intervenção urbanística sem dar quaisquer informações aos seus munícipes, moradores, comerciantes e demais interessados. Este grupo propôs esta discussão pública por parecer injusto que - sem um debate e consenso alargado - se altere irreversivelmente um Património que se mantém vivo após mil anos de desenvolvimento desta cidade.
A discussão pública é de entrada livre e tem como objectivo apresentar informação aos cidadãos e às cidadãs sobre o processo e consequente projecto para o miolo do quarteirão das ruas Camões, Caldeiroa e Liberdade, e, assim, promover a participação cívica dos interessados e das interessadas no levantamento de questões sobre o assunto.
quarta-feira, 22 de março de 2017
Não precisamos mesmo de mais parques de estacionamento!
Não precisamos mesmo de mais parques de estacionamento!
No entanto está programada a construção de mais 1 parque, o Parque da Caldeiroa/ Camões, e foi encomendado um estudo para comprovar a viabilidade de construção de um parque de estacionamento subterrâneo entre o largo da República do Brasil, vulgo Campo da Feira, e a alameda de São Dâmaso.
Não à morte do quarteirão Camões-Caldeiroa
Dizem que alguns colaboradores de estabelecimentos comerciais das artérias: Alameda de São Damaso, Toural, Rua de Santo António foram contactados por agentes da Vitrus para "comprarem" um lugar de estacionamemto por €20 mensais, no Parque de Estacionamento que querem construir na Caldeiroa/Camões. Parque esse que ainda não foi construído e que não foi ainda a discussão pública e para o qual não foi feito nenhum estudo de impacto ambiental ou de mobilidade integrada, entre outras demonstrações de despotismo político.
Isto é aviltante e é uma tentativa de justificar o argumento do edil que alega que todos os parques são úteis, e o parque da Caldeiroa/Camões especificamente será " estruturante para o desenvolvimento da cidade".
Como se não fossem suficientes os 2.072 lugares de estacionamento geridos pela Vitrus, empresa da Câmara Municipal de Guimarães, que fiscaliza o estacionamento tanto nos cinco parques públicos cobertos - Parque da Plataforma das Artes, no estádio D. Afonso Henriques, no Mercado Municipal, no Centro Cultural de Vila Flor ( neste o piso -1 está fechado por falta de procura (?), ) e no Largo Condessa da Mumadona, como nas ruas dentro e fora do centro histórico.
Caso queiram saber a taxa real de ocupação dos 5 paques públicos terão que adivinhar porque estes números não foram facultados por exemplo ao jornalista que escreveu um artigo sobre os parques de estacionamento geridos pela Camara no Mais Guimarães de 14 de Março. Das ruas com parcómetros a taxa, segundo a Vitrus, vai de 10% ( sim, viram bem 10%) até 65%.
Quando questiono os meus conterrâneos vimaranenses se precisamos de mais parques de estacionamento, a resposta é invariável e categoricamente "Não" pois alegam que não falta estacionamento a pagar, falta é gratuito. Eu contesto esta asserção, pois também existe muito estacionamento gratuito - Parque da Feira, Campo de São Mamede, Hortas, Multiusos, Estádio D. Afonso Henriques em todas as suas envolventes, desde a Estação de Comboios até à Fraterna, entre outros.
Precisamos de pensar que o bem comum radica-se no bem individual que formula esse bem comum.
Por Fátima Oliveira, via Facebook em 21 de Março de 2017
No entanto está programada a construção de mais 1 parque, o Parque da Caldeiroa/ Camões, e foi encomendado um estudo para comprovar a viabilidade de construção de um parque de estacionamento subterrâneo entre o largo da República do Brasil, vulgo Campo da Feira, e a alameda de São Dâmaso.
Não à morte do quarteirão Camões-Caldeiroa
Dizem que alguns colaboradores de estabelecimentos comerciais das artérias: Alameda de São Damaso, Toural, Rua de Santo António foram contactados por agentes da Vitrus para "comprarem" um lugar de estacionamemto por €20 mensais, no Parque de Estacionamento que querem construir na Caldeiroa/Camões. Parque esse que ainda não foi construído e que não foi ainda a discussão pública e para o qual não foi feito nenhum estudo de impacto ambiental ou de mobilidade integrada, entre outras demonstrações de despotismo político.
Isto é aviltante e é uma tentativa de justificar o argumento do edil que alega que todos os parques são úteis, e o parque da Caldeiroa/Camões especificamente será " estruturante para o desenvolvimento da cidade".
Como se não fossem suficientes os 2.072 lugares de estacionamento geridos pela Vitrus, empresa da Câmara Municipal de Guimarães, que fiscaliza o estacionamento tanto nos cinco parques públicos cobertos - Parque da Plataforma das Artes, no estádio D. Afonso Henriques, no Mercado Municipal, no Centro Cultural de Vila Flor ( neste o piso -1 está fechado por falta de procura (?), ) e no Largo Condessa da Mumadona, como nas ruas dentro e fora do centro histórico.
Caso queiram saber a taxa real de ocupação dos 5 paques públicos terão que adivinhar porque estes números não foram facultados por exemplo ao jornalista que escreveu um artigo sobre os parques de estacionamento geridos pela Camara no Mais Guimarães de 14 de Março. Das ruas com parcómetros a taxa, segundo a Vitrus, vai de 10% ( sim, viram bem 10%) até 65%.
Quando questiono os meus conterrâneos vimaranenses se precisamos de mais parques de estacionamento, a resposta é invariável e categoricamente "Não" pois alegam que não falta estacionamento a pagar, falta é gratuito. Eu contesto esta asserção, pois também existe muito estacionamento gratuito - Parque da Feira, Campo de São Mamede, Hortas, Multiusos, Estádio D. Afonso Henriques em todas as suas envolventes, desde a Estação de Comboios até à Fraterna, entre outros.
Precisamos de pensar que o bem comum radica-se no bem individual que formula esse bem comum.
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| 19 de Março ( 15h24) |
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| Parque da Feira (gratuito), dia 15 de Março ( 17h35) |
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| Parque do Mercado Municipal, dia 15 de Março ( 17h) |
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| Parque da Feira ( gratuito) dia 16 de Março (18h) |
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| 21 Março (15.55) |
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| Alameda Dr. Alfredo Pimenta, dia 16 de Março ( 17h45) |
(publicado com a autorização da autora)
sexta-feira, 10 de março de 2017
Carta aberta
Tornámos esta carta aberta a todos os que estejam interessados.
É uma carta em defesa do quarteirão Camões-Caldeiroa, pois para nós não há um bem público senão o que assegura o bem individual de todos nós.
Descarregue a carta aqui.
Etiquetas:
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parque de estacionamento Caldeiroa-Camões,
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Local:
Guimarães, Portugal
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